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50 anos depois:
o que mudou para as mulheres?

Ser mulher nos dias de hoje não é fácil, mas como seria ser mulher há 50 anos? Ou à 51, onde não havia esperança da liberdade?
Nos tempos da ditadura militar era mais normal uma mulher obedecer que desobedecer, era normal estarem em posições de submissão e não em posições de comando. Mas 50 anos depois o que mudou, ou o que melhorou?
Para tal estivemos à conversa com Helena Maria Gonçalves, que na altura da revolução estudava em Braga no Liceu Feminino Dona Maria II, atual escola secundária. Agora é professora, formadora, Tutora psicopedagógica, consultora e atriz/ encenadora nos tempos livres.
Qual foi o direito que para si foi mais importante as mulheres adquirirem?
“O direito mais importante mais importante foi começarem a ter DIREITOS.. De estudar, antes só as meninas de famílias ricas e poderosas tinham esse direito e só algumas, as corajosas e pensadoras o faziam.., de se relacionarem e casarem com homens com menos condições económicas e sociais do que elas - namorar e casar por amor e não por interesses - poderem votar, poderem viajar sem autorização dos maridos ou dos pais, poderem andar nas ruas sem serem incomodadas e perseguidas pelos homens, poderem ser elas próprias e terem os mesmos direitos e deveres que os homens, terem liberdade e, repara que não digo terem mais liberdade... As mulheres não tinham nenhuma liberdade antes do 25 de Abril de 1974. E as que lutaram pela sua liberdade sofreram muito.”
Sente que como mulher teve mais oportunidades do que as que teria se o 25 de abril não tivesse acontecido?
“Não teria conseguido nada do que consegui na minha vida sem o 25 de Abril pois passei o início da adolescência no antes e a adolescência adulta no depois... E fui uma privilegiada porque consegui convencer o meu pai a estudar longe dos pais, em Coimbra e aí comecei a sentir-me livre e a gerir a minha Vida e Liberdade. Tudo o que consegui fazer, como mulher, na minha Vida, devo à Revolução do 25 de Abril.”
Sente que há algum direito que falta conquistar e que há algum direito que se perdeu?
“O direito que ainda está a ser conquistado é a igualdade de direitos e deveres para todos os Seres Humanos como aliás acontece no resto do Mundo.”
Já à segunda parte da pergunta Helena respondeu “A sociedade no geral e eu particularmente não perdemos nenhum direito que tínhamos antes do 25 de Abril. Claro que não está tudo feito, nem estará nunca porque todos os dias aparecem novos desafios à Humanidade, mas 24 de Abril ... Nunca!!!25 de Abril! Sempre!”
Este 24 de Abril, vem da premissa do espetáculo comunidade “Calma, é só amanhã”, onde está inserida e que têm como premissa as liberdades não alcançadas.
Qual a melhor memória que tem dos tempos de revolução?
“As melhores memórias do tempo da Revolução são todas as coisas que pude fazer e que nunca poderia fazer sem ela... Ter a liberdade de escolher e fazer as minhas opções em todas as vertentes da minha Vida pessoal, familiar social.”
A Helena é uma Mulher, uma no meio de tantas que viveu a revolução e uma no meio de todas que ganharam com ela. Talvez 50 anos depois já não temos a noção da vitória que foi a Liberdade não só para um povo unido, mas para um povo de mulheres que poderão ser tudo o que quiseram ser e que podem escolher o caminho para o qual querem ir sem pedir e sem ter medo.

25 de abril de 2024

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